sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

... Acabaram-se as férias

Quero contar-te uma coisa. Ontem, na aula do Ferro, nós discutimos sobre a juventude. Ok, deves estar a achar isto um pouco vago, mas eu já explico melhor. Espera, eu disse "nós discutimos"... desculpa, "discutiu". Sim, porque aquele homem respondia às suas próprias questões. Para mim ele é um génio, um profundo e inexplicável génio com uma mente absolutamente fantástica!
Ele dizia que nós, jovens, não temos medo de correr riscos. Que não pensamos no que vai acontecer, simplesmente vivemos a vida ao máximo, vivemos como queremos e sem ter medo do que possa vir. Ele dizia que nós não ligávamos ao futuro, que vivíamos a vida de uma forma ilusória. O que é engraçado, deveras engraçado - eu acho -, porque ele tem razão. Vou dar-te o exemplo do cigarro. Nós sabemos que fumar faz mal, que fumar faz cancro, porém, connosco nós pensamos que o risco está eliminado. "Eu fumo. Mas o cigarro dá cancro. Epah, mas não vai dar." Mas dá. "Mas não vai dar". Nesta idade, tão nova ainda, nós achamos que as coisas só acontecem ao outros. Achamos que é impossível acontecer connosco e que, à partida, não há riscos. Se calhar, porque achamos que ainda temos muito tempo de vida, que não é amanha ou na próxima hora que vamos morrer. Achamos que o futuro é longo e que ainda temos muito tempo. Ou, se calhar, vivemos assim porque não queremos perder nem um bocadinho de nada do que a vida nos pode dar. Queremos simplesmente viver! 
Ao contrário dos senhores de idade, os ditos velhos - palavra que, particularmente, eu não gosto. Nós somos diferentes deles, porquê? Se calhar, porque eles já passaram por muito, já viveram o que tinham a viver mas ainda assim têm medo da morte. Nós também temos medo de morrer, mas ainda assim arriscamos em coisas novas. Eles acham que fazer o mesmo caminho todos os dias, mesmo que longe e longo, vai-lhes dar segurança e menos riscos. Já nós, não temos medo nenhum de nos perder. Não temos medo de ir no carro e não saber o caminho, não temos medo de partir à descoberta. "Não sei o caminho, perdi-me. - Não há mal, segue em frente. É sempre em frente que estamos perto, ou então segue o carro à nossa frente. Ele deve ir para lá também", sabemos que isto é estúpido porque não é esse carro que nos dirá o caminho, mas ainda assim seguimos ao desconhecido e sem medo, até encontrarmos placas que nos localizem e desloquem para onde queremos ir. 
Esta era a opinião dele, que nós não temos medo, que connosco o risco está eliminado e que vivemos de uma forma muito ilusória - está sempre tudo bem e não temos medo do imprevisto. Porém, na minha opinião, eu acho que temos medo sim. Medo, não... pânico do risco, mas ainda assim gostamos de "namorar" com ele, entendes?! Gostamos do medo mas não nos comprometemos. Gostamos de namorar com o medo e com o risco, mas sem ter o compromisso... porque nós temos medo. Medo do futuro e do que pode vir a acontecer mas, nesta idade, não damos muita importância. É algo que não queremos saber.


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