Ela só queria não ter de provar nada a ninguém. Queria sentir as coisas, vivê-las com ele e ser aquela excepção à regra que no fundo todos acham sempre que vão ser e são, quando gostam de alguém. E parece que gostam sempre mais desta vez, mas depois a vida troca-lhes as voltas e tudo volta a ser apenas eco como sempre, é um ciclo vicioso que todos conhecemos. Ela agradecia-lhe por ele deixá-la ser ela própria e por confiar nela.
Ela adorava quando ele dizia que ela era diferente, que era especial. Para ela, ele era aquele miúdo que a fazia corar com orgulho por ouvi-lo falar dela de uma forma que a enchia de vontade em ser melhor. Ele via a alma dela. Ela sempre achou que eles os dois podiam dar-se mesmo bem como nunca se tinham dado com ninguém. Que eram perfeitos juntos. Perfeitos um para o outro. Ela era complicada e não falava muito nisto, mas sim, no fundo desde o inicio sempre o achou.
Ela sabia que nele podia confiar de verdade, porque ele era aquilo que dizia ser, não escrevia textos nem usava palavras que depois não se encaixavam no que ele era. Para ela, ele simplesmente usava palavras que se encaixavam na projecção que ele fazia da sua pessoa, aquilo que ele era e queria vir a ser. Ele era como era. Era alma. Tinha soul power. Não escrevia, não falava, mas sentia. Ele era quem o melhor a conhecia, todos os seus tiques, todas as suas formas... Era como se possuísse o seu manual de instruções.
Eles eram tão parecidos. Reparava-se e observava-se isso ao pormenor. Ele tocava-lhe na alma, abria-lhe horizontes e desafiava-lhe.
Ele tinha um bom coração. Era daquelas pessoas que se preocupava com os outros.
Era tão tranquilo, carinhoso, era wild e amigo. Era muito. Era tudo e nada.
