sexta-feira, 23 de novembro de 2012


"O fado, já diz Fernando Pessoa,
não é canção má nem boa,
não é alegre nem triste,
não é de Coimbra ou Lisboa.
É um ser estranho, uma pausa
que a alma portuguesa deu ao mar
quando tudo desejava
sem força para desejar.

Toda a canção é um poema ajudado
que diz o que a alma não tem
e a isso não escapa o fado
que é um poema ajudado também.

O fado é fadiga duma alma forte,
é uma espécie de olhar
que viu o sorriso da morte
nos brancos espelhos do mar.
É um olhar quase de desprezo
a um Deus que desertou
quando mais dele precisava
quem duvidar nunca ousou."

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