Hoje na estação de Entrecampos uma senhora veio até mim e perguntou-me qual era o comboio que passava por Queluz e eu respondi-lhe. Entretanto, a senhora acabou por ficar lá ao meu lado mais o seu filho David, até o comboio chegar. Desde logo começámos a falar.
O David disse-me que queria um robô, porque os robôs falam. O David mais o seu riso energético, não parava de se meter comigo e eu com ele. Ele ria-se e ria-se e fazia-me rir a mim. No inicio, como é normal, houve aquela vergonha habitual, mas com o tempo foi-se abrindo e eu por momentos conquistei-o.
Mal entrámos no comboio, ele quis ficar ao pé de mim e eu achei uma doçura. A mãe dizia-lhe que não podia ser e para parar de se meter comigo porque eu já tinha namorado. Eu achei engraçado e ri-me e ela de um modo carinhoso sorriu. Desde o inicio que falei com a senhora, sabia que a tinha conquistado também.
Ele meteu-se comigo o caminho todo. Fazíamos caretas um ao outro e logo a seguir riamos desalmadamente. Todas as pessoas olhavam para nós como, se de algum modo, nós tivéssemos uma ligação familiar. Mas a verdade é que não, éramos apenas meros conhecidos que se tinham encontrado em estações anteriores.
Ele falava dos palhaços que tinha ido ver ao circo e do quanto gostava de ser um palhaço também, gostava do Ruca e de comboios. Era um menino muito engraçado, querido e tinha um sorriso maravilhoso. Era lindo e eu achei-o fantástico.
No fim, quando chegámos a Queluz, ele despediu-se muitas vezes e acenava enquanto dizia "xau..." e eu sorri e acenei também. No momento em que me disse xau e se virou para a mãe, o seu sorriso desvaneceu. Fiquei a perceber que de alguma forma aquela viagem o alegrou, animou e que, de certo modo, ele tinha gostado de me conhecer.
A mãe, agradeceu-me bastante pela ajuda e que tinha gostado muito de me conhecer e eu agradeci e disse-lhe o mesmo. Mal ele saiu, eu ouvi-o a dizer novamente "Mãe... quero um robô".

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